Fone: (47) 3036-4600 Atendimento: FONE Support icon Orçamento 0 item

Notícias

Indústria catarinense vai investir R$ 3 bilhões até 2015

16/07/2013
1e64d71031fe4350f5639818b5f8ca5f.jpg

Três bilhões é o valor de investimentos estimado pela indústria catarinense para o triênio 2013-2015. Segundo a 13ª edição do estudo Desempenho e Perspectivas da Indústria Catarinense, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) com 118 participantes de 18 segmentos, as áreas que mais devem crescer neste período são celulose e papel, alimentos e bebidas e minerais não metálicos. Além disso, as fábricas devem apostar na modernização de sua estrutura física e tecnológica, ampliação da capacidade produtiva e melhoria da qualidade dos produtos oferecidos ao mercado. Consequência disso, o número de empregos criados deve disparar para a casa dos 18 mil até 2015, sendo 13 mil em Santa Catarina e 5 mil fora do Estado.

Em 2012, segundo a pesquisa, vários setores registraram condições de atividade industrial relativamente fracas no território catarinense. O crescimento tímido do PIB brasileiro - apenas 0,9%, em relação a 2011 – fez com que a indústria da transformação apresentasse a maior queda, de 2,5%, em todo o País. Em Santa Catarina não foi diferente: o setor teve um decréscimo de 2,9% na produção. Outros segmentos fecharam resultados abaixo do esperado, principalmente em termos de produção e comércio internacional. O prêmio de consolação foi a geração de empregos, que cresceu 2,3%. As vendas industriais também foram satisfatórias, crescendo 7%.

De acordo com Glauco José Côrte, presidente do Sistema Fiesc, os baixos resultados da economia nacional em 2012 mostram que o novo ciclo de crescimento deverá se apoiar nos investimentos. “Uma maior competitividade será possível através de investimentos em inovação, tecnologia e educação”, explica. “Apoiar e acompanhar os investimentos industriais torna-se estratégico tanto para o crescimento industrial quanto do Estado e do País”, complementa Côrte.

Os resultados em 2012

Metade dos setores entrevistados pela Fiesc garantem que fizeram investimentos em 2012. Oito deles – Confecções de Artigos do Vestuário e Acessórios, Produtos de Metal (exceto máquinas), Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos, Material Eletrônico, Aparelhos e Equipamentos de Comunicação, Veículos Automotores, Artigos do Mobiliário, Tecnologia, Automação, Informática e Outros Equipamentos de Transporte – tiveram aproveitamento de 100% dos recursos em todas as empresas que englobam.

A metalurgia foi destaque, com um avanço de 56% no volume total investido pelas indústrias catarinenses em 2012 fora do País, na comparação com o ano anterior. Ao todo, foram aplicados mais de R$ 2,6 milhões. Nos valores alocados somente em Santa Catarina, o aumento de 2011 para 2012 foi de 10% em termos nominais. Com 45% do total distribuído, a metalurgia básica foi a atividade catarinense líder em investimentos em 2012.

Ainda no quesito distribuição, os investimentos industriais catarinenses em 2012 foram em benefício do próprio Estado. De R$ 2,7 bilhões aplicados, R$ 1,5 bilhão ficou em Santa Catarina. O resto foi dividido em outros estados e no exterior.

Considerando apenas os investimentos realizados em território catarinense, destacaram-se com maiores valores os segmentos de alimentos de bebidas, celulose e papel e metalurgia básica. Mais da metade das indústrias declaram que investiram confirme haviam planejado, enquanto 13% das empresas realizaram além do previsto, 25% investiram parcialmente e 5% adiaram seus planos.

O levantamento da Fiesc constatou que a preferência dos empresários ainda é a utilização de recursos próprios em seus investimentos: em 2012, este meio alcançou a proporção de 50%, enquanto 2011 registrou 52% dos recursos cobertos pelos gestores. Menor custo financeiro, política da empresa de reinvestimentos de lucros, distância do endividamento excessivo, excesso de burocracia e morosidade na aprovação dos projetos via banco de fomentos foram, entre outros, os motivos mais citados para tal decisão.

Ainda segundo os industriais entrevistados, os custos logísticos e tributários são os grandes vilões que afetaram as empresas no ano passado. Foram apontados ainda como aspectos impactantes a grande entrada de produtos importados no mercado nacional (30%), custos das matérias-primas ou insumos (28%), a crise internacional agravada na Zona do Euro (24%) e o câmbio (17%).

Matérias-primas e máquinas e equipamentos lideraram as importações. No total, 76% das indústrias entrevistadas importaram em 2012.

O que vem por aí

A cifra de R$ 3 bilhões foi o montante levantado pela pesquisa como o que as indústrias catarinenses pretendem investir até 2015. Deste valor, R$ 1,8 bilhão será aplicado ainda em 2013. A parcela das indústrias dispostas a investir ainda este ano é de 75%. Para 2014, o número deve cair para 57% e continuar diminuindo, chegando em 48% no ano de 2015. De acordo com o observado, esta queda se deve a vários fatores, entre eles o fato de que as empresas não possuem informações no período da coleta por falta de planejamento a longo prazo.

Apesar das dificuldades, os setores que mais irão contribuir nestes três anos são as indústrias de celulose e papel, em um total de mais de R$ 551 bilhões. Alimentos e bebidas devem contribuir com cerca de R$ 516 bilhões, e minerais não metálicos com aproximadamente R$ 470 milhões. As principais fontes de recursos para investimentos neste triênio serão: 42% capital próprio, 32% bancos de fomento, 15% bancos privados nacionais e 7% bancos de fomento via bancos privados nacionais.

Apesar de uma queda em relação a 2012, o ano de 2013 registrará um número superior à média histórica recente, segundo o estudo. Apesar de o valor atual ser menor do que o do ano interior - cerca de R$1,7 milhão contra R$2,6 milhões -, isso se deve ao fato de que, em 2012, uma grande empresa do setor metalúrgico adquiriu duas unidades fabris no México. Levando isso em consideração, o valor deste ano é maior do que a média dos últimos cinco anos (2007 a 2012), que foi de aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Indústria alimentícia na liderança em 2013

Será de 24% a fatia de investimentos do setor de alimentos e bebidas em 2013, com prioridade para o crescimento dentro do Estado. Contudo, o segmento também fica com a maior porção de investimentos em outras regiões. Entre as razões estão a existência de unidades da empresa em outros estados, a busca pela ampliação do mercado e dos negócios e o menor custo do frete.

O segmento é considerado um dos pilares da economia catarinense. O segundo setor industrial com maior projeção para este ano, com investimentos de 100% em Santa Catarina, é o de celulose e papel, seguido pela indústria de máquinas e materiais elétricos e pelo setor de metalúrgica básica, ambas com investimentos representativos no exterior.

Cenário de otimismo

Grande parte dos empresários que participaram da pesquisa (80%) vê em 2013 um ano de resultados positivos, mesmo diante dos baixos indicadores de 2012, do resistente quadro de crise internacional e da manutenção dos gargalos infraestruturais. Entre as razões para acreditar em um 2013 promissor, está o aumento da renda da população e a conseqüente integração das classes baixas ao mercado consumidor. Taxa de desemprego em baixa, previsão de melhora na construção civil, redução do preço da energia, safra agrícola em elevação, incentivos fiscais à inovação, desoneração da folha de pagamento, os grandes eventos esportivos que acontecerão no País, entre outros, são algumas razões para o otimismo.

O viés internacional, o crescimento econômico dos Estados Unidos, a abertura de novos mercados e a instalação de multinacionais em Santa Catarina contribuem para o clima favorável. Já no âmbito doméstico, entram na lista aspectos como confiança no atual governo, incentivo para renovação da frota de caminhões e à formação de trabalhadores qualificados e ainda a estabilização do câmbio.

Investimentos adicionais

Além dos R$ 3 bilhões de investimentos apontados pela pesquisa da Fiesc, uma outra pesquisa na mídia impressa proporcionou mais informações a respeito de planos de investimentos industriais em Santa Catarina, inclusive de novas empresa que pretendem se instalar no Estado. Entre os exemplos que podem ser mencionados está a Cadence, voltada ao setor eletroeletrônico, que planeja a construção de uma nova fábrica em Piçarras com investimento de R$ 40 milhões.

Já a indústria de plástico Viqua prevê a ampliação dos negócios na unidade de Joinville, e irá direcionar para o projeto cerca de R$ 16,7 milhões. Outra empresa que também pode ser mencionada é a Nivaldo Stoerberl & Cia, que atua na área de transporte e logística. A empresa irá construir em São Bento do Sul um novo centro logístico com espaço para armazenagem de mercadorias no valor de R$ 8 milhões.

Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec)

O Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec) tem como finalidade conceder incentivo à implantação ou expansão de empreendimentos industriais e comerciais que escolham produzir e gerar emprego e renda no Estado. Trata-se de incentivo a postergação equivalente a um percentual pré-determinado sobre o valor do ICMS a ser gerado pelo novo projeto.

Consultados pelo Fiesc sobre o programa, cerca de 81% das indústrias revelaram conhecer o projeto. Este percentual é maior do que o registrado no ano passado (78%). É de 30% o percentual de empresas que pretendem utilizar os benefícios co Prodec, superior aos 22% de 2012.

Fonte: Noticenter